Os dois caminhavam pela rua numa descontraçao causada pelo vinho que haviam tomado.
Em alguns momentos ele chegava mais perto e falava alguma coisa ao ouvido dela que fazia com que seu corpo todo se arrepiasse... ela sentia que ficava inteiramente molhada de desejo. Continuavam caminhando, mãos dadas como se fossem mesmo um casal. Ela olha pra ele e ri de seus próprios pensamentos. Há algum tempo atrás aquele quadro bastaria para que ela sentisse seu coração bater com mais força, sempre fora passional, mas isso já passara, o que ficara nela agora era somente a certeza de que não haviam envolvimentos maiores que aquele que ela tinha nesse exato momento. Duas pessoas caminhando sem rumo pela rua, mãos dadas e um desejo imenso.
De repente ele a puxa para um canto da estação onde haviam acabado de entrar e ela sente a força que ele tem nos braços. A sensação não podia ser melhor, estar assim tão próxima ao corpo dele, que a apertava em movimentos lentos e firmes, como se estivessem apenas os dois ali. Todos os sons ao redor deixam de existir, e então ela começa a passear sua lingua na boca deliciosa dele sem nenhum pudor. Ele diz alguma coisa que ela entendeu como quase um gemido e se sente ainda mais excitada. Nenhum dois precisava dizer nada. Tudo o que ela queria naquele exato momento era poder senti-lo inteiramente dentro dela e a cada movimento que faziam a sensação era essa.
A respiração quente dele em seu pescoço e suas mãos que apertavam sua cintura deixavam nitido que ele a queria tanto quanto ela. Ela fecha os olhos e ainda sob o efeito do vinho se sente flutuando, a cabeça estava leve, o corpo entregue aos sentidos... Todos cada um deles, o cheiro do corpo dele, o gosto da boca quente e umida, o toque das mãos firmes, o som da voz rouca que agora dizia que queria sair dali com ela... as imagens que ela via em sua mente cheias de desejo por ele...

O trem que encosta na plataforma a faz lembrar que é hora de ir pra casa. Ela se desvencilha do abraço e corre ao sinal de fechamento das portas, o pegando de surpresa. Ainda teve tempo de dizer um " foi muito bom, amor", mas ele sequer teve tempo de responder. Ela procura um lugar para se sentar e com sorte encontra um ao lado da janela. Lá fora, as luzes da cidade passam da mesma maneira que as imagens em sua cabeça. Enquanto isso, ele fica na plataforma pensando nela, em como fazer para ve-la de novo...Onde encontrá-la...Não sabia seu nome, seu telefone, nada, apenas que era tão linda, tão alegre, tão deliciosa...