19 de out. de 2010

Um minuto de saudade



Pego sua foto e na lembrança
vem sua voz que ainda canta
as músicas que eu queria ouvir,
vejo o seu sorriso e mentalmente
vou cantando displicente
o refrão que eu escolhi...

...só liguei,
liguei pra te dizer que eu te amo,
que os momentos que felizes nós passamos,
se  morrer, irão morrer junto comigo...

Penso em você e sigo em frente,
por saber que certamente,
você está bem,
está mais feliz,
que o som do violão que ainda escuto,
se Deus quiser não fica mudo,
que é pra você cantar assim...

...vá dormir,
e sonhe com nós dois no paraíso,
de mãos dadas caminhando no infinito,
e pra sempre desfrutando desse amor...

13 de out. de 2010

Rabisco




Nada escrevo,
e quando tento, rabisco, rasgo,
desisto,emudeço...
Escrever o que, se as palavras que vêem estão carregadas de você?
Você que pra mim já não serve, não me cabe, não existe...
Nada escrevo,
e quando tento, me lembro, me encolho,
lamento...
Escrever o que, se tudo ficou tão claro?
Nada escrevo, nada, nada!
porque quando tento,
é você que eu vejo,
Você, que eu detesto!
Em cada linha, cada frase,
E cada vez mais te odeio,
porque cada vez que tento,
mais me machuco,
de mim esqueço,
mais enlouqueço...



12 de out. de 2010

Tá...





Um gato preto do mato,
perdido na cidade iluminada,
traz consigo um violão afinado
e toca pra lua, que calada,
tão só, do céu testemunha,
a solidão do gato preto sozinho
que canta meio sentido,
suas canções pela madrugada...

11 de out. de 2010

Feche os olhos e sinta...

Um toque e seu corpo se arrepia...feche os olhos e sinta...
se deixe levar pelo que te invade,
feche os olhos e sinta, quase um choque que adormece,
os sentidos que se aguçam, te deixam leve,
cada um deles, um a um, feche os olhos e sinta,
o gosto doce da língua que passeia, te enlouquece,
a boca quente que te tonteia,
o toque das mãos que deslizam e seu corpo que estremece,
feche os olhos e sinta as palavras escondidas,
cada gemido, cada pedido, feche os olhos e sinta,
sinta o abraço que te enlaça, que de tão forte te faz submissa,
sinta, sinta cada movimento, lento, completo,
repleto do suor que te molha, que te toma, te devora,
feche os olhos e sinta, deixe tudo mais e sinta,
o coração que acelera, que espera,
o nome que você repete enquanto pede, enquanto cede,
enquanto estremece, feche os olhos e sinta,
sinta os segundos em que tudo desaparece,
em que os gemidos ficam mais roucos, mais loucos,
um segundo pra amar seu corpo,
feche os olhos e sinta, a imaginação te leva
a lembrança que lateja, feche os olhos e sinta,
minta,
faça de conta
de real só a lembrança que ainda te toma,
te transforma,
o desejo que incomoda
a vontade da boca,
feche os olhos e sinta,
a língua,
o nome que fica,
e que você chama sem resposta...

Por que está amanhecendo? Peço o contrário ver o sol se pôr...


No horizonte amarelado pelo sol que começa a  nascer, as figuras vão se formando e se tornando nítidas pra você, mas nem todos que estão ali assistindo são capazes de enxergar as mesmas coisas, os mesmos desenhos emaranhados, exceto "ele",  então você se pergunta: - como pode? ele vê as mesmas coisas que eu...
Um navio, um dragão, ou seria um jacaré?
Vocês chegam à conclusão de que mais ao fundo, o mar se misturou de tal maneira ao colorido do céu que não conseguem descobrir onde tudo começa ou onde tudo acaba...
Você olha pra ele e pensa que talvez devesse agradecer por ele estar ali, inesperadamente, como um presente mesmo.
O sol insiste em surgir, a areia vai se tornando clara, tanto quanto os pensamentos que tomam conta de você.
- Bom dia - você diz, e guarda as milhares de frases que gostaria de dizer...
Agora você sabe, deveria ter dito...
Deveria ter dito porque há momentos que não se repetem,  há pessoas que não ficam...
Mas por outro lado, há sensações que não passam,como a sensação de estar ali naquele dia, ou seria naquela noite misturada ao dia?
Na madrugada em que um poeta passa e escreve sua poesia dedicada à moça e ao cantor que calado ouvia...
Na madrugada em que fizeram amor na areia sem se importar com as câmeras que tudo viam...
Na madrugada em que sequer notaram que o dia amanhecia...


Você vai dormir enquanto os que acordam nem imaginam como você está por dentro, ainda tem a sensação do corpo dele e sorri pra si mesma...
- Qual a última vez em que você se sentiu feliz, estava exatamente onde gostaria, com quem gostaria, fazendo o que queria? - tinha feito essa pergunta à ele num momento qualquer da noite.
- Não me lembro. - ele diz, sorri e parece confuso.
Você se fazia essa pergunta sempre e a resposta que tinha era a mesma, não se lembrava, não sabia...
Mas alguma coisa mudara durante a madrugada.
Alguma coisa mudara nos últimos dias, assim como ele que surgira do nada, a resposta que você tinha agora era essa:
- Um momento, uma madrugada, ele, o sol que nascia, essa sensação...
A sensação que permanece,que você ainda pode sentir quando fecha os olhos...
Uma madrugada, um começo de dia, uma noite misturada ao mar, ao cheiro dele,à poesia...

6 de out. de 2010

Entre névoas

Você olha ao redor e tudo parece envolto numa neblina sem fim.
Muito dificil afastar os pensamentos que tomam conta de você e que só fazem com que você se perca ainda mais.
De repente ele passa por você e sorri, sua risada tão familiar faz com seu coração dispare, mas ele desaparece na neblina sem que você possa alcançá-lo...

- É só a minha imaginação - você diz, mesmo assim caminha até lá.

Num instante você se distrai e outras pessoas aparecem, fantasmas que há muito não te assombravam e que agora vem de novo cruzar o seu caminho, vampiros atraidos pela tristeza.
Mais uma vez a risada que faz eco é a dele.
A lembrança daquele sorriso faz com que você esqueça tudo mais de ruim.
O passado dança ao seu redor, momentos em que você se sentiu tão perdida quanto agora, mas é na imagem dele que você fixa o olhar. Ele corre livremente, mas você continua ali, sem saber pra onde ir...
Alguém fala o seu nome e você se vira...

- Você sequer me conhece - as palavras dizem- mas vem...

Uma conversa que parece tão banal, e então, entre frases engraçadas e risadas seu medo diminui.
Mas a sensação do abraço vem de novo à tona e toma conta de você, momentos em que você se sentia viva..

- Esquece, do contrário você não sai daqui - dizem as palavras amigas- continua caminhando, não precisa ficar parada aí...

A neblina vai se dissipando aos poucos e com ela todos os fantasmas vão sumindo.
Você ainda escuta o som da risada entre as musicas que ele cantava, o som do violão tão suave e que agora parece tão distante.
O peito fica dolorido ao perceber que ele vai se perdendo no caminho.

- Vem, continua!

E você segue...
Palavras que estão ali e quem as diz sequer sabe como são importantes, alguns minutos e tudo parece melhor, mais seguro.
Por alguns momentos você consegue tirar o sorriso dele do pensamento, consegue não desejar estar lá de novo...
Por alguns momentos você se esquece do abraço, do amigo, do violão, das canções...

- Pena não ter te conhecido. -  você diz em pensamento 
-Pena não ter estado lá. Talvez tivesse sido mais fácil...

Nada a fazer a não ser agradecer às palavras do desconhecido...
Obrigada Mark,obrigada por hoje ter sido meu amigo...